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Jogos indie para consoles estão afetando as grandes publishers?

Um mercado merecidamente respeitado mundialmente e muito querido.

É inegável que a Steam é a "casa" dos jogos indies, foi por meio deles que os pequenos estúdios conseguiram lançar seus primeiros jogos e se tornaram sucesso entre milhões de gamers. A Steam abriu esse mercado para os indies e é merecidamente respeitada mundialmente e muito querida por conta disso.

Mas na questão dos consoles da geração passada (Xbox 360/PS3) a cena indie no começo da geração, entre 2005 e 2006, era inexistente para estas plataformas e só foi ganhar força alguns anos depois, devido ao sucesso dos jogos no PC, citados no parágrafo anterior. Foi só em 2008 que a Microsoft permitiu que jogos indie fossem aparecer em sua loja para o Xbox 360 e, apesar de não ter achado relatos de jogos indie mais antigos do que isso, me lembro do jogo Journey e sua belíssima direção de arte, jogo este que foi lançado em 2012 para o Playstation 3.

Outros tantos jogos foram lançados na geração passada e fizeram o mercado de indies para console ainda pequeno ter o primeiro grande crescimento, com jogos como Super Meat Boy, FEZ, Braid, Spelunky, Minecraft, Terraria e tantos outros que vieram depois.

Mesmo assim, na geração passada a visibilidade que estes jogos indies tinham nos consoles era de certa forma bem pequena, se comparado com os grandes títulos que saíam todo mês. Foi na geração atual de consoles (Xbox One/PS4) que eles de fato ganharam terreno. Atualmente na loja do Xbox One são lançados vários jogos indies semanalmente, ao longo do ano inteiro, em muitas ocasiões vários jogos saem na mesma semana, a preços atrativos. Não sei como é no PS4 mas acredito que tenha uma frequência tão boa quanto ou até maior.

O crescimento dos jogos indie nos consoles

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Um dos primeiros indies lançados para o Xbox One

E com cada vez mais visibilidade, mais vendas e com jogos cada vez melhores aos poucos o mercado indie começou a crescer nos consoles, com mais estúdios fazendo os jogos, cada vez mais vendas e em 2014, o primeiro ano de vida dos consoles da nova geração, em meio a tantos remasters de jogos da geração passada, os jogos que mais se despontaram como uma alternativa ao "mais do mesmo" foram os indies.

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Um dos primeiros indies lançados para o Playstation 4

Em meio a tudo isso Sony e Microsoft, que já tem uma pequena porcentagem nas vendas dos jogos, resolveram promover ainda mais os indies e até assinaram contratos de exclusividade com alguns pequenos estúdios, como foi o que aconteceu com FEZ, excelente jogo de plataforma da geração passada, lançado nesta geração somente para PS4. Aconteceu também com o estúdio que fez o jogo Threes!, puzzle lançado para smartphones e nesta geração somente para o Xbox One.

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Com tudo isso acontecendo a resposta para a pergunta feita no título do artigo se torna clara: sim, as publishers se sentiram afetadas com os jogos indies. É muito menos arriscado trabalhar com um estúdio pequeno e orçamento enxuto por alguns meses ou 1 ano em um jogo indie do que trabalhar por 2, 3 anos com centenas de pessoas em um jogo AAA gastando milhões.

2016: o ano que as publishers se renderam aos jogos indie

Além disso, as grandes publishers third-party, como Eletronic Arts, Square Enix e Ubisoft notaram o crescimento dos jogos indie e viram que poderia ser rentável investir neles, como o excelente jogo Unravel, feito por um estúdio sueco e publicado pela EA ano passado. Falando na EA, ela apresentou na E3 do ano passado o seu programa EA Originals, uma iniciativa justamente para colaborar e publicar jogos feitos por estúdios indies. O primeiro dessa leva é o FE, feito por um estúdio indie lá da Suécia, estúdio esse que fez outro jogo indie chamado Stick to the Man, já conhecido pela comunidade indie.

Anos antes a Ubisoft comprou o estúdio que fez o jogo Trials HD pensando justamente na força que os jogos indie criaram dentro da comunidade gamer, com mais e mais vendas a cada lançamento e sem aquela pressão por resultados que todo grande estúdio tem. Além da série Trials, a Ubisoft apostou em um jogo feito como se fosse um indie, mas por um estúdio grande, a Ubisoft Reflections, chamado de Grow Home, e deu certo com bom número de vendas para um jogo considerado indie. Além dele, a Ubisoft fez recentemente o jogo de esportes extremos Steep, que apesar de ter a "cara" de um AAA, é um esforço coletivo de baixo orçamento entre os estúdios da Ubisoft ao redor do mundo, e também pode ser considerado de certa forma indie, em sua essência.

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Square Enix por sua vez, em 2015 patrocinou o desenvolvimento do jogo Life is Strange, que foi um verdadeiro sucesso, ganhando prêmios e concorrendo a jogo do ano. Nos últimos anos a Square Enix vem ajudando diversos estúdios indies a lançarem seus jogos por meio do programa Collective. Um dos grandes jogos deste programa, lançado em 2016 e que também ganhou alguns prêmios foi o The Turing Test.

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Então fica claro que sim, as grandes publishers se sentiram de certa forma afetadas pelo sucesso dos jogos indies nos consoles, mas ao mesmo tempo elas se utilizaram inteligentemente dos negócios e algumas compraram estúdios, como a Microsoft comprou alguns, outras fizeram parcerias para publicarem os jogos, como a EA e tantas outras citadas fizeram e assim conseguiram se manter no topo fazendo jogos AAA e ainda de quebra oferecer jogos indies para participar desse mercado que só cresce, dia após dia.

Chegamos ao ponto de, novamente em 2016, um dos grandes lançamentos da Microsoft ser um jogo indie, chamado Inside e feito pela mesma criadora de Limbo, outro grande sucesso, lançado em 2010 para o Xbox 360 e posteriormente para Xbox One e PS4.

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O futuro dos jogos indie

É difícil prever algo mas se fosse para prever eu diria que os jogos indie irão continuar crescendo em termos de vendas e relevância para o público que hoje em dia tem cada vez menos tempo para jogar aquele AAA de 50, 60 horas ou mais, e prefere se divertir naquele indie de menos de 6 horas. Diria também que as publishers irão de toda forma tentar comprar os estúdios ou ao menos se oferecer para publicar os jogos e obter uma fatia do rendimento sem precisar mobilizar uma equipe com centenas de pessoas por anos.

Se o que as publishers fazem é errado? Além de ser uma questão mercadológica acredito também ser uma questão um pouco complicada, porque a premissa dos estúdios indies geralmente é a de justamente "se livrar" de uma grande publisher para fazer o seu jogo, do seu jeito, tomando os seus próprios riscos, sem aquela pressão e sem precisar alterar todo o escopo do projeto do jogo porque o diretor não gostou. Mas por outro lado ter uma publisher como uma Eletronic Arts por trás ajuda demais em termos de marketing, investimentos financeiros e relações públicas, que são temas essenciais para a divulgação e aumento de vendas de um jogo indie, em uma indústria tão concorrida e cheia de novidades a cada mês que é a indústria de jogos.

Com esses programas como os da EA e o da Square ao meu ver as publishers dão toda a liberdade para o estúdio criar o seu jogo, do jeito que acharem melhor, incentivando assim a criatividade e sem muitas amarras com a publisher.

Eu acredito ter mercado para ambos, indies e AAA, o que vejo nesta geração é uma saturação dos jogos de grande orçamento, talvez em parte por conta do alto investimento e baixo retorno que alguns jogos vem tendo, fazendo o mercado apelar para as famosas remasterizações de jogos, muitas vezes com menos de 10 anos de vida, que saíram na geração passada, isso é um outro assunto que gostaria de discutir em um outro momento.

E vocês, o que acham desta discussão? Há mercado para ambos ou os AAAs estão fadados a desaparecer ou ao menos diminuir ao longo dos anos?

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