Brasilgamer.com.br

The Last Guardian - Análise

Uma jornada baseada na mais pura amizade.

The Last Guardian irá manter você fascinado pela história, e principalmente, pela forma como ela é narrada.

Passaram-se quase 10 anos desde que The Last Guardian foi anunciado para o PS3. Agora após muita turbulência, finalmente o título criado por Fumito Ueda está disponível no PS4. Um jogo que promete uma aventura fantástica e emocionante, a qual não víamos a hora de colocarmos as mãos. The Last Guardian é uma realidade, mas será que toda essa espera realmente valeu a pena?

Na pele de um garoto nós nos encontramos preso em algumas ruínas antigas ao lado de Trico, um animal visivelmente ferido, faminto e assustado. A abordagem minimalista é evidente, mas leva apenas alguns segundos para criar um vínculo com o jogo e sua filosofia. Depois de algumas tentativas, Trico e o garoto finalmente estão livres para explorar o mundo, iniciando uma relação que será totalmente fortificada no decorrer da aventura.

Sobre o aspecto técnico é possível logo de cara perceber que o título da Sony mostra todas as dificuldades de seu desenvolvimento. A câmera tende a criar mais de um problema quando estamos montados em Trico, principalmente quando passamos por salas pequenas ou por pequenas aberturas. Às vezes você não consegue entender para onde mover a alavanca do DuakShock 4, para ir na direção desejada. Quanto a qualidade da textura não é impressionante, já que o motor gráfico sofre em determinados momentos, especialmente nas áreas mais complexas e quando Trico realiza saltos longos de plataforma em plataforma.

Adicionado a isso temos uma Inteligência Artificial que não é sempre tão sensível como esperávamos. Os comportamentos e reações de Trico são convincentes, mas em várias ocasiões (especialmente na primeira metade do jogo) a criatura demora para interpretar os comandos ordenados pelo garoto, nos forçando a fazer isso mais de uma vez. Talvez seja algo proposital, mas não parece o caso aqui.

O problema é que em algumas circunstâncias a resolução dos puzzles depende das ações de Trico, onde em mais de uma vez aconteceu de entrarmos em uma sala, entender imediatamente como resolver os puzzles ambientais, mas executá-los apenas depois de alguns minutos após um grande número de tentativas. Tudo bem, vamos em frente. Após essa introdução você deve estar pensando que o jogo é um desastre, mas a realidade é muito diferente. O que The Last Guardian perde na parte técnica, na verdade, se recupera no emocional, dando ao jogador uma experiência que se torna inovadora.

No mercado atual, é praticamente impossível encontrar jogos como The Last Guardian. A narrativa delicada, ambientes fascinantes e um sistema de jogabilidade precioso ​​são realmente um legado do passado, não se encontra mais esse tipo de jogo hoje em dia. É como se nestes anos todos, Fumito Ueda ignorasse toda a evolução gamer. Algo que eu realmente aprecio muito e é muito bem vindo nos dias de hoje.

A jornada de Trico e seu amigo funciona em ritmos perfeitos, é bem equilibrada e sempre fornecendo a quantidade certa de emoções. As mecânicas que regem na relação entre o garoto e seu animal de estimação estão fora de escala e surgem das mais tradicionais combinações que temos visto em Ico e Shadow of the Colossus. Hora após hora você aprende a entender quando o animal quer nos dizer alguma coisa: Quer que eu monte na parte de trás? Está com fome? Quer carinho? Ele quer descer até o chão? Tudo vai acontecendo com o decorrer do jogo, onde os comportamentos de Trico geram informações importantes para continuar sua exploração.

O trabalho realizado pela equipe de desenvolvimento é impressionante e se encaixa perfeitamente em um jogo bem concebido, onde muitas vezes é possível conseguir o mesmo resultado mais de uma maneira. Em várias vezes eu demorei para subir até uma plataforma, apenas para descobrir mais tarde que Trico poderia chegar lá em um único salto. Em outras ocasiões, no entanto, nosso foco fica a disposição de opções para tentar sair de uma situação difícil. Em mais de uma ocasião Trico prova ser um aliado valioso, mas nem sempre prestativo para atender nossos pedidos. The Last Guardian também tem o mérito de não deixar as coisas monótonas. Entre uma visão maravilhosa, uma escalada emocionante ou uma caminhada em cordas suspensas no ar, o jogo sempre encontra novas maneiras de lidar com as diversas situações.

Os quebra-cabeças também evoluem e para continuar sua aventura é sempre necessário abrir sua mente e considerar todas as situações possíveis, especialmente se você quiser encontrar os barris preciosos que servem para alimentar Trico. Algumas mecânicas são apresentadas no início do jogo e depois desaparecem em grande parte da aventura, apenas para retornar em uma fase final, garantindo uma grande satisfação. Algo importante é sempre ficar atento às dicas que o jogo oferece o tempo todo.

Por razões óbvias, não vou relatar absolutamente nada sobre o enredo. O jogo pode ser finalizado em pouco mais de 10 horas, mas The Last Guardian irá manter você fascinado pela história, e principalmente, pela forma como ela é narrada. A qualidade artística é notável e quando um jogo é capaz de oferecer esses sentimentos, o setor técnico passa completamente despercebido. Deixando de lado os problemas relatados no início, o mundo de The Last Guardian envolve o jogador como poucos jogos conseguem fazer, tornando tudo isso em uma experiência carismática e surpreendente. Pode acreditar, você vai gastar horas cuidando de Trico.

Fumito Ueda realmente fez com que esses quase 10 anos de espera valessem realmente a pena. Estamos diante de uma história baseada na mais pura amizade, onde é muito difícil não se emocionar e não se apaixonar pela relação entre um frágil garoto e uma criatura gigante. Posso afirmar que The Last Guardian é sem sombra de dúvidas um jogo obrigatório. Uma obra prima. Foram anos de desenvolvimento e anos de espera que irão terminar em horas, mas que irá deixar sua marca em cada jogador disposto a embarcar nessa aventura.

The Last Guardian - Análise Christian Donizete Uma jornada baseada na mais pura amizade. 2016-12-07T14:00:00-02:00 5 5

Comentários (13)

Os comentários estão agora fechados. Obrigado pela sua contribuição!

  • Carregando...