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Watch Dogs 2 - Análise

Ubisoft quer dar a volta por cima.

O desenvolvimento de Watch Dogs 2 foi um desafio e uma questão de honra para a Ubisoft. A empresa quer mostrar que aprendeu com os erros do passado e que pode entregar um jogo sem nenhum tipo de problema para evitar todo o aborrecimento que ocorreu com a primeira versão do jogo. Sendo assim, é hora de invadir o mundo dos hackers e descobrir se esse objetivo foi realmente alcançado.

Após dois anos de trabalho intenso da mesma equipe que desenvolveu Watch Dogs, Watch Dogs 2 nos transporta agora para um enorme e dinâmico mapa de mundo aberto na região da Baía de São Francisco, nos Estados Unidos. A área adotou recentemente o ctOS 2.0, um avançado sistema operacional central que integra toda a infraestrutura da cidade e que, em mãos erradas, pode ser usado para manipular e interferir na rotina dos cidadãos.

Olhando para os personagens, os temas e a forma como Watch Dogs 2 é tratado, você rapidamente percebe que a Ubisoft fez todo o possível para tentar ganhar a credibilidade dos jogadores. Watch Dogs 2 é sem dúvida um avanço em relação ao primeiro capítulo, onde na pele de Marcus Holloway, um jovem e brilhante hacker que foi vítima dos algoritmos de previsão do ctOS 2.0 e acusado de um crime que não cometeu, devemos usar seus conhecimentos de hacker como principal arma, podendo invadir não apenas o sistema que controla a infraestrutura da cidade, mas também os dispositivos pessoais dos moradores.

Controlando drones, carros, guindastes, câmeras de segurança e outros dispositivos, os jogadores podem optar por cumprir as missões de modo furtivo, sem matar um único inimigo, ou em combate, usando armas letais. Também é possível interferir nos sinais de trânsito em perseguições de carro, cortar caminho pelo telhado dos prédios e se infiltrar em escritórios de empresas de tecnologia do Vale do Silício.

Os dados gravados pelas câmeras, celulares e muitos outros dispositivos, são coletadas, catalogadas e analisadas para orientar as escolhas dos indivíduos, manipular a consciência social e, em casos extremos, tomar medidas potencialmente prejudiciais para a sociedade. A visão do jogo não anda muito longe da situação real, um detalhe que torna os eventos narrados no jogo um pouco mais perturbadores do que são na realidade.

É uma pena que o enredo é prejudicado por uma série de narrativas que não acrescentam nada, como a necessidade de promover e acumular seguidores para tirar proveito do poder de seus dispositivos (se qualquer hacker simplesmente violasse os terminais necessários, economizaria tempo e recurso). Não faz muito sentido realizar várias etapas se podemos ir direto ao ponto. A figura do hacker não foi bem tratada aqui, no entanto, é fresco e agradável, com exceção de sua narrativa.

Mais sobre Watch Dogs 2

Tal como acontece com quase todo jogo de mundo aberto em circulação, e também neste caso, é difícil conseguir se apaixonar pela história, simplesmente porque as histórias são contadas aos trancos e barrancos, incluindo uma missão secundária e um desafio no modo multiplayer. É um problema comum a muitos expoentes do gênero, superado apenas por uma qualificação superior (Red Dead Redemption, para citar um exemplo). Apesar disso, Watch Dogs 2 consegue sua parcela de entretenimento.

Como mencionado, o objetivo final é acumular o maior número possível de seguidores, a fim de explorar o poder computacional de seus dispositivos para lutar em igualdade de condições contra seus inimigos. Deixando de lado o que é relacionado ao turismo e lazer, é durante as missões principais que WD 2 demonstra o seu crescimento. As habilidades disponíveis de Marcus são diversificadas: no início são poucas, mas pelo acúmulo de pontos de habilidade, podemos desbloquear talentos a partir do menu, encontrando inúmeras possibilidades diferentes. Dependendo do tipo de escolha é possível optar por algo mais clássico, como simplesmente atirar, ou optar por uma infiltração silenciosa utilizando drones à distância.

Tudo bem, comparado com o capítulo anterior, o jogador tem muito mais liberdade e o nível de design ajuda a tornar tudo mais agradável e funcional. WD 2, no entanto, não é um mar de rosas. Os estágios a bordo dos veículos sofrem dos mesmos problemas vistos no episódio anterior - um modelo de condução pesada. Considerando a amplitude da área de jogo e as grandes distâncias que separam as diversas missões, quase sempre temos que optar por um meio de transporte, e certamente não deveríamos nos deparar com isso novamente. As coisas pioram quando somos perseguidos pela polícia. Despistar a polícia não é fácil, já que dependemos de um grande número de truques executados, explorando as habilidades de Marcus. Você pode explodir tubulações subterrâneas, enlouquecer os semáforos ou você pode até mesmo alterar a direção dos veículos, tudo remotamente.

Felizmente, o jogo permite que você possa optar por viagens rápidas, que podem ser ativadas selecionando os ícones dos vários pontos de interesse no mapa. Entre estes pontos há muitas lojas onde você pode comprar itens para personalizar a aparência de Marcus, vestindo o personagem de acordo com seu estilo e mantendo seus próprios gostos.

A infiltração silenciosa foi significativamente melhorada em comparação com o que vimos no primeiro Watch Dogs, mas sofre de uma falha importante. Basta ser encontrado por um guarda, mesmo que seja apenas por um breve momento, e toda a estrutura é alertada, ou seja, a furtividade já era. Quando isso acontece, a IA tende a estar sempre atenta à posição de Marcus, mesmo quando o protagonista sai da vista dos guardas, se afastando da área reservada para o oposto da estrutura.

Durante nossa campanha, podemos também optar por uma experiência multiplayer, que está integrada na campanha single player e vem na forma de missões ativadas a partir do menu ou encontradas por acaso no decorrer da exploração. O multiplayer é agradável, mas devido a alguns problemas técnicos a Ubisoft desativou temporariamente a capacidade de se encontrar por acaso com outros jogadores, o que limita a experiência a convites diretos a partir do menu opções, pelo menos durante nosso período de teste.

Tenho que admitir que Watch Dogs 2 é um passo à frente em relação às bases estabelecidas pelo primeiro episódio da série. A ideia original recebe agora um cenário inspirado em todos os aspectos, uma narrativa simples e muitos elementos de jogabilidade. Falha em alguns aspectos: como os problemas relacionados com o multiplayer, IA, e para mim particularmente, o sistema de condução que continua decepcionante.

Fora isso, Watch Dogs merece uma segunda chance, principalmente, se você é um daqueles jogadores que ficaram desapontados com o primeiro episódio. Quem sabe agora o título da Ubi não ganhe uma pouco mais de confiança. Potencial existe, só precisa ser despertado.

Watch Dogs 2 - Análise Christian Donizete Ubisoft quer dar a volta por cima. 2016-11-21T00:30:00-02:00 4 5

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