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Call of Duty: Infinite Warfare - Análise

Enquanto isso em uma galáxia distante...

Este novo Call of Duty pode até atingir uma grande fatia de jogadores, mas é hora de começar a demonstrar um novo caminho.

Bons tempos quando os fãs esperavam com ansiedade por um novo Call of Duty. Uma série que ao longo dos anos foi recordista de vendas e revolucionou o modelo de FPS, está perdendo progressivamente essa capacidade criativa, a mesma que lhe permitiu criar jogos abrangentes em todos os pontos de vista, e foi capaz de abraçar o maior número possível de jogadores.

Com Call of Duty: Infinite Warfare parece que as coisas não mudaram muito em relação ao que vimos no ano passado, e apesar de termos aqui uma orientação mais clara de qual direção o jogo pretende seguir, não temos algo que podemos chamar de inovador e nem mesmo criativo. Este novo capítulo, na verdade, segue a receita padrão de um CoD, sugerindo sua clássica fórmula combinada com seu tradicional modo online, que atualmente é o que sustenta a franquia, graças a sua fiel legião de fãs.

Sendo assim, posso começar dizendo que as bases foram mantidas, oferecendo uma campanha single-player que coloca a narrativa em foco enquanto os jogadores se aventuram por uma jornada clássica que se desenrola de forma contínua, criando uma experiência até que imersiva e com mais autonomia aos jogadores.

Na campanha entramos na pele do Capitão Reyes, um soldado de Operações Especiais de Nível 1 que assume o comando da Retribution, uma das últimas naves de guerra restantes da Terra. Enfrentando uma insurreição cruel liderada pelo Almirante Salen Kotch, retratado por Kit Harington (Game of Thrones), Reyes deve defender sua casa contra esta força inimiga, onde além do combate militar, fundamentado, que é a marca registrada da série, o jogo permite aos jogadores pilotar seu próprio caça de combate, conhecido como o Jackal, em batalhas aéreas de voo livre tanto na Terra como no espaço.

Toda essa premissa é interessante e isso fez com que os escritores pudessem se concentrar mais sobre os personagens e as suas ligações. Desta forma, algumas figuras emergem como Nora Salter, sua companheira de voo, e até mesmo o simpático robô Ethan. O resto da trama, no entanto, segue os clichês clássicos de filmes de ação americanos, que logo se tornarão o foco da guerra e o único capaz de fazer feitos heroicos pode afetar o resultado do conflito. No geral, a história é sem muito sentido e sem muita dificuldade, onde batalha após batalha iremos chegar até o final em poucas horas.

A estrutura das missões são bastante simples, com níveis muito mais estreitos do que antes. Desta forma, você vai lutar em corredores apertados que fornecem quase sempre duas rotas diferentes para completar. Devo admitir que as batalhas espaciais são bem legais, embora um pouco 'automatizadas'. Os tiroteios em gravidade zero também chamam a atenção, onde aqui você vai precisar usar um gancho para alcançar os tetos flutuantes no espaço para chegar até um inimigo, abate-lo e partir para o próximo. Este tipo de luta nem sempre é particularmente bem sucedida por causa da dificuldade em reconhecer os inimigos, já que sem gravidade, o inimigo pode aparecer de todos os lugares.

Temos também algumas missões secundárias, no entanto, após as primeiras batalhas, a repetição dos mesmos tipos de missões fazem com que essas pequenas tarefas se tornem frustrantes e o esforço para criar essas atribuições opcionais para expandir o total de horas que levará para completar o jogo, vai se estender apenas a desbloquear novas armas e skins para seu soldado.

Uma vez terminada a campanha ou até mesmo antes disso, muitos irão partir para o multiplayer. O modo online apresenta diversas maneiras para ganhar recompensas e melhorar armas. Pela primeira vez em Call of Duty, o jogo possui um sistema de crafting totalmente novo que permite aos fãs usar Salvage, uma moeda do jogo ganha durante as partidas, para criar protótipos de armas que vêm com benefícios cosméticos e funcionais especiais chamados "Gun Perks". Adicionalmente, os jogadores podem subir de nível e adquirir as armas específicas com as Equipes de Missão. É possível se juntar a quatro Equipes de Missão distintas, cada uma com sua própria personalidade, desafios e comandante da equipe, para ganhar recompensas exclusivas para essa equipe.

Além disso, Infinite Warfare também traz um novo modo cooperativo chamado Zombies in Spaceland. O modo transporta os jogadores para um enredo, onde eles vão lutar como um dos quatro arquétipos clássicos dos anos 80 para batalhar contra mortos vivos em um parque de diversões cheio de zumbis. O modo pode ser jogado sozinho ou com até três outros jogadores.

No geral os mapas multi são mais homogêneos do que no passado. Isto significa que todos os mapas são bastante agitados, desenvolvidos em vários níveis para enfatizar os saltos duplos e corridas nas paredes. O design é sempre essencial, de modo a penalizar os jogadores distraídos com detalhes desnecessários. Graficamente o jogo parece ser o mesmo do ano passado, sem grandes alterações, onde a qualidade das texturas, a amplitude dos níveis e o número de objetos em movimento, de fato, parece até menor.

Call of Duty: Infinite Warfare pode ser resumido da seguinte maneira: a campanha é contada em um ambiente agradável, que introduz o combate espacial, mas não é jogável em níveis co-op e apresentam locais estreitos. O modo Zombies in Spaceland é jogado em um cenário colorido e cheio de surpresas, mas é uma jogabilidade muito clássica. O multiplayer é padrão, com a apresentação de novos elementos realmente presentes em outros jogos do gênero, enquanto os mapas estão todos no mesmo caminho.

Sendo assim, Infinite Warfare pode até atingir uma grande fatia de jogadores, graças as diversas opções que o jogo oferece, mas se a série não começar a demonstrar um novo caminho nos próximos anos - como já vem acontecendo com os títulos anteriores - é uma questão de tempo até que cada vez mais tenhamos menos interessados no próximo Call of Duty.

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