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Battlefield 1 - Análise

A Primeira Guerra Mundial foi a escolha perfeita.

A DICE retorna às suas origens, não só no que diz respeito às guerras mundiais, mas também no que diz respeito a ser um estúdio talentoso.

A série Battlefield nos últimos anos perdeu um pouco da sua personalidade, a mesma personalidade que permitiu a franquia se tornar no mais forte concorrente de Call of Duty. Na pressa de impor-se no mercado, a DICE decidiu seguir o caminho traçado pela Activision, transformando gradualmente o seu produto em um jogo de tiro com ritmo acelerado, dinâmico, dedicado ao carisma e muitas vezes, bastante conduzido.

Uma escolha que fez com que a DICE pagasse caro pelo erro, porque Call of Duty continuou inabalável e dominando as vendas. É por isso que a DICE decidiu começar do zero, para deixar Titanfall 2 e CoD brigando no seu próprio campo de batalha para se concentrar nos objetivos que sempre foram os pontos fortes da série. O resultado? Battlefield 1 é o melhor capítulo já visto em anos, se não for o melhor da série.

A DICE provou não ser apenas o criador do motor Frostbite, mas também mostrou um incrível talento e personalidade. Battlefield 1 é um jogo de tiro abrangente, sólido e inspirado na história da guerra. Abandonar o estilo imposto por CoD e Titanfall não quer dizer simplesmente desistir dos saltos duplos, mas também dar sentido a todo o trabalho em um tom mais sério e realista.

A escolha da Primeira Guerra Mundial permitiu aos desenvolvedores explorarem ambientes virtuais particularmente frequentados por soldados reais como os Alpes italianos e as terras baixas que unem a França com a Alemanha, por exemplo. E ao invés de contar uma história incrível de um soldado que lutou em todos estes locais de guerra, a DICE decidiu dividir o jogo em cinco episódios independentes, talvez com um pouco de ficção, mas certamente o mais genuíno possível, onde um soldado sozinho pode derrotar um exército inimigo sem sentir nenhum tipo de culpa.

O poder do Frostbite

Graças ao cuidado com que o desenvolvedor foi capaz de nos inserir dentro dessas missões, no entanto, o modo campanha pode parecer mais uma espécie de catálogo de tudo o que o motor Frostbite pode fazer, antes de ingressarmos nos modos multiplayer. Os cenários recriados, além de serem grandes e complexos, são ricos em detalhes e acompanhados por um motor de física realmente excelente, capaz de lidar com um alto grau de ambientes destrutíveis. Sua passagem vai deixar sinais tangíveis no mapa, como explosões ou incêndios, e você pode decidir se deseja romper as linhas inimigas ou usar uma abordagem mais cautelosa.

As tempestades de Battlefield 1, por exemplo, não só alteram esteticamente a paisagem, mas mudam profundamente a maneira de jogar. As sombras se tornam mais escuras e fica cada vez pior ver algo que está muito longe, tornando-se quase inútil o uso de rifles de precisão. No entanto, existem alguns eventos de impacto durante o jogo, como o aparecimento de canhões, trens blindados e dirigíveis gigantes, mas a impressão é que estas coisas são menos impactantes quando comparamos com o restante do jogo.

Felizmente este excelente trabalho de otimização da DICE foi aplicado também no modo online. Nele as batalhas são impressionantes, oferecendo mais detalhes, quantidade de movimento e objetos físicos. Os nove mapas disponíveis no lançamento são notáveis ​​por qualidade e tamanho. Com o direito de destruir um edifício, bem como criar crateras que podem ser usadas ​​em um momento posterior como um abrigo para a infantaria.

A DICE realmente se dedicou para criar a mais imersiva e dinâmica experiência multiplayer em ambientes que sempre mudam com destruição intuitiva e clima dinâmico, que abrigam batalhas de até 64 jogadores. Em Operações, um novo modo multiplayer, os jogadores podem entrar totalmente em uma série de batalhas interconectadas, na contenção da linha de frente através de diversos mapas. E se a batalha parecer perdida, basta chamar um Veículo Colossal, o maior veículo controlado por jogadores já visto na história de Battlefield, ou entrar como uma das três forças destrutivas da Classe de Elite. Diversão garantida.

Divisor de águas

A Primeira Guerra Mundial coloca um divisor de águas entre o clássico e a guerra mecanizada. Armas automáticas são raras e não muito precisas, assim como as demais armas precisam ser carregadas manualmente depois de cada tiro. Isto faz com que as batalhas se tornem mais lentas, porém viscerais. Você vai participar de confrontos em que um cavalo definitivamente pode fazer a diferença.

Os veículos blindados e navios são pesados ​​e desajeitados, enquanto os aviões são leves, e mortais. Estas combinações tornam os combates em veículos interessantes e fornece uma variedade decente para as batalhas, assim como o fato de dar a cada uma das classes a sua própria personalidade distinta. De um ponto de vista, as mudanças podem parecer mínimas, mas ajudam a tornar a experiência mais fluida e dinâmica, como a capacidade de se inclinar atrás de um muro, subir em um abrigo ou até mesmo reparar um veículo sem precisar sair de dentro dele.

Para se tornar eficaz no campo de batalha será necessário aprender a trajetória das balas de cada arma, bem como compreender quando e como usar as habilidades secundárias de cada classe. Saber interpretar o seu papel dentro da equipe é essencial para vencer, mas principalmente para se divertir. Um médico que não cura seus aliados, por exemplo, perde sua eficácia e assim por diante.

Da mesma forma, é importante aprender a explorar os veículos. Avançar com um cavalo rumo a um blindado é suicídio, mas usar o animal para ataques velozes exponencialmente aumenta a sua eficácia no campo de batalha. O estilo da DICE é empurrar os jogadores para trabalhar em conjunto, agrupando-se em equipes. Dessa forma, teremos um grupo de pessoas com as quais tentamos organizar para ter um conjunto diversificado de classes com o objetivo de atacar um alvo.

Sendo assim, posso concluir que com Battlefield 1, a DICE retorna às suas origens, não só no que diz respeito às guerras mundiais, mas também no que diz respeito a ser um estúdio talentoso, capaz de entregar um produto com uma forte personalidade que não tenta imitar o estilo de ninguém. O resultado é um jogo de tiro inspirador, desafiador e divertido, seja na campanha ou no seu componente multiplayer.

Battlefield 1 - Análise Christian Donizete A Primeira Guerra Mundial foi a escolha perfeita. 2016-10-26T00:05:00-02:00 5 5

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