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The Elder Scrolls Online: Tamriel Unlimited - Análise

Elder Scrolls online é um MMO moderno, com bonito visual e design caprichado para os consoles.

Desde que foi anunciado que Elder Scrolls Online não funcionaria mais pelo sistema de assinatura - e sim com a simples compra do jogo, fiquei interessado. Quando veio para os consoles, achei mais legal ainda perceber que o sistema de Skyrim já tem uma característica solta que se presta muito bem ao gênero do MMO, onde eu muitas vezes perambulava pelo mundo sem muitos objetivos a não ser explorar o mapa e me meter em aventuras com monstros, bandidos e calabouços amaldiçoados.

Elder Scrolls Online tira proveito desse DNA propício e não decepciona, bebendo bastante do design de Skyrim. Soma a isso o sistema de habilidades - que têm um tempo de 'resfriamento' a cada vez que são usados, típicos dos MMOs - e forma um pacote muito bem ajustado para os videogames.

O resultado é um game interessante e divertido, pois combina o universo rico e detalhado de Elder Scrolls com boas mecânicas de jogo - ainda que o sistema MMO muitas vezes sirva para interferir na sensação de imersão.

Controles bem ajustados e integração com o PC

Logo no começo, você pode importar o seu personagem da versão de PC. É um cuidado extra com quem apostou no jogo desde o começo, servindo de motivador para quem já joga no PC e queira comprar a versão em console para experimentar Elder Scrolls no sofá e na telona da sala.

A transição para o console acontece muito bem, e o design do jogo possivelmente já foi bolado com essa plataforma em mente.

Como os personagens não têm tantas habilidades acumuladas - em torno de 5, facilmente mapeadas no controle com opção de acessar mais 5 secundárias - o controle do videogame se presta muito bem para o jogo. Se comparar com World of Warcraft onde você tem uma montanha de habilidades, dá pra imaginar que essa simplificação foi bem pensada.

Assassin's Creed 4 Black Flag

Alguns botões são mapeados em lugares estranhos (como agachar por exemplo), e leva algum tempo para se ajustar se você estiver habituado com os controles de Skyrim. As opções de remapear os botões são limitadas, o que é uma pena, mas depois de algumas sessões já estava bem adaptado ao esquema do controle.

Design complexo e batalhas fluidas

No melhor estilo Elder Scrolls, o jogo pode ser aproveitado de várias maneiras. Além das batalhas e missões tradicionais, há um robusto sistema de 'trabalhos' alternativos: fabricar armas e armaduras, poções e encantamentos são alternativas interessantes e divertidas para desenvolver o seu personagem, ainda que sejam sistemas mais complexos.

As batalhas são outro destaque e funcionam muito bem, sobretudo considerando que é um jogo online. Há uma mecânica simples que combina ataques rápidos ou fortes, e também bloqueio ou esquiva, que permite bastante variedade.

O interessante é que o combate é baseado em habilidade e tempo de ação. Não só em estatísticas do personagem pesam no resultado da batalha, mas também acertar o momento exato de apertar o botão. Um bloqueio bem colocado deixa o adversário desorientado e permite um ataque violento para bastante dano.

Tudo isso possibilitando mais criatividade na abordagem das batalhas contra inimigos mais poderosos. Inimigos mais fracos ainda podem ser atropelados repetindo o mesmo ataque.

Como ser especial em um mundo povoado por heróis?

Uma coisa interessante de Elder Scrolls Online é que os desenvolvedores não se contentaram com as convenções de MMOs - que abusam de missões genéricas, já que em um mundo massivo nossos personagens tendem a ser... bem, genéricos.

Em Elder Scrolls Online, as missões são bem elaboradas e tentam criar um senso de importância para os nossos personagens, o que é um esforço louvável. As buscas envolvem personagens únicos dando missões que alteram o estado das coisas em Tamriel.

Mas, por ser um mundo online e consistente entre todos os jogadores, a ilusão de relevância das nossas ações se dissolve com facilidade quando vemos várias outras pessoas ao redor fazendo exatamente a mesma coisa que nós. A nossa busca por itens raros e únicos acaba sendo desmascarada quando você vê 10 jogadores reunidos no mesmo ponto 'secreto' e resgatando o artefato 'único'.

Acredito que o esforço de criar essa ilusão de relevância é digno de aplausos e não crítica, mas a quebra de imersão pelo modo MMO é inegável.

The Elder Scrolls Online: Tamriel Unlimited - Trailer da E3

Boa produção e variedade

Para um MMO, Elder Scrolls Online é um jogo bonito e bem trabalhado, com áreas e criaturas bem variadas. O começo é um pouco mais lento - passamos um bom tempo enfrentando lobos e vespas - mas os ambientes logo se abrem e começamos a ver mais variedade.

Outro destaque é a música. Como já vimos em Skyrim, as músicas são especialmente eficientes para criar um clima épico em alguns momentos chave do jogo.

O jogo tem ainda montarias que são bem legais - não só cavalos, mas também alguns monstros que podem servir de montaria. E algumas criaturas podem se tornar companheiras ou bichos de estimação. Enfim, tem variedade e muita coisa para ser explorada.

Estabilidade e opções de câmera

Acompanhei relatos de instabilidade do jogo, mas não encontrei BUGs que tenham afetado o jogo de forma relevante. Testei o jogo no PS4.

É engraçado ver vários jogadores ocupando o mesmo lugar em alguns momentos (formando um conjunto bizarro de cabeças, ombros e escudos), mas é algo que não interfere de forma alguma nas partidas.

Experimentei ainda o jogo em primeira e terceira pessoa. Os dois formatos funcionam bem, sendo que terceira pessoa é melhor para navegar algumas áreas mais complexas do mapa. Achei o modo em primeira pessoa bom para o combate, mas tenho certeza de que essa não é uma percepção unânime. Vale a pena testar os dois modos e ver qual se adéqua ao seu estilo.

Monetização e evolução do jogo

Um aspecto polêmico do jogo é a possibilidade de incrementar seus equipamentos usando dinheiro real. Parece ser a opção que a Bethesda encontrou para se livrar do modelo de assinatura.

Achei que a implementação é razoavelmente inofensiva. Dá pra se divertir sem colocar a mão no bolso e sem pensar em dinheiro durante a brincadeira - que é o design mais detestável desse modelo de monetização.

Só senti um certo desequilíbrio no preço das montarias: por serem caros, juntar dinheiro dentro do jogo para compra-los demora um pouco. Mas, se lembrar de Skyrim, os cavalos também eram caros - o que sugere ser uma decisão consciente de design para inserir novos elemento de jogo aos poucos.

Resta saber se o jogo vai receber suporte (injeção de dinheiro suficiente) para que possa evoluir constantemente com novas áreas e missões - critério fundamental para a longevidade de qualquer MMO.

Conclusão:

Elder Scrolls Online é um jogo divertido e com uma qualidade de produção caprichada para um MMO. Além disso, funciona muito bem nos consoles - onde não existem muitas opções de MMO.

Não chega a ser uma tradução perfeita do mundo de Elder Scrolls para o mundo online, pois a lotação dos mapas interfere na imersão - aspecto em que Skyrim se sai muito bem. Cavernas e calabouços superlotados perdem a aura de mistério consideravelmente.

Apesar disso, as mecânicas de jogo bem ajustadas sustentam a diversão e justificam qualquer fã de MMO ou Elder Scrolls para experimentar o jogo, que exibe o esforço e ambição da Bethesda a todo momento.

The Elder Scrolls Online: Tamriel Unlimited - Análise Julio Bonetti Elder Scrolls online é um MMO moderno, com bonito visual e design caprichado para os consoles. 2015-06-28T10:00:00-03:00 4 5

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